samedi

Ufa!!!


Orgasmo. Foi o que as moças tiveram ao ouvir "Ficou bom!"...

Dopadas de ansiedade e cafeína elas ficaram até as duas da manhã escrevendo sobre suas atabalhoadas vidas... uma reportagem, a primeira de muitas.

PROFISSÃO: ESTUDANTE?

Juliana Tinoco e Regina Costa


Engana-se quem pensa que a vida de todo estudante universitário é uma festa. Xérox, livros, transporte, canetas, papéis, cerveja e sinuca são apenas alguns itens de uma enorme lista que os jovens consideram necessária para aproveitarem satisfatoriamente o ambiente acadêmico. Tantos gastos pesam no orçamento dos pais e a solução encontrada por boa parte dos jovens é entrar mais cedo no mercado de trabalho.
Estudar e trabalhar ao mesmo tempo não é uma tarefa fácil; requer esforço, dedicação e principalmente, uma boa administração do tempo, além, é claro, de altas doses de cafeína.
“Saber gerenciar o tempo é a chave”, diz Rosicley Monteiro, 25 anos, estudante de MBA em Gerenciamento de Projetos. Quem observa essa moça lavando copos numa lanchonete em Jardim da Penha, jamais imaginaria que durante o dia ela faz contatos com pessoas com cargos legislativos importantes. Seu dia começa às sete da manhã e estende-se até altas horas da madrugada, de acordo com a resistência de seu corpo. O trabalho como assistente administrativa exige muita concentração e há grande desgaste mental; são vários os telefonemas, telegramas, e-mails e reuniões. “A remuneração é muito boa, mas eu me divirto muito mais trabalhando como garçonete”, conta Rosicley. Realmente pode-se constatar tal fato. No trabalho na lanchonete ela ri, encontra com amigos, conhece gente nova e se distrai, tudo isso sem disvirtuar-se de suas tarefas.
Rosicley mora sozinha e necessita de dinheiro para se sustentar. Paga o aluguel, condomínio, seu curso de MBA, faz compras e “banca os rocks”. “Meu pai não me dá nem um real. Tenho que trabalhar, pagar minhas calcinhas.”
E como ficam os estudos? “É ai que entra o gerenciamento do tempo. Se chego da lanchonete disposta, leio meus textos. Mas o certo é estudar nos fins de semana, que são preciosos pra mim. Os sábados e domingos são sagrados. É nesses dias que organizo a casa, visito meus pais (que moram em Ibiraçu) quando posso e cuido de mim. Lógico que nem sempre a organização dá certo e acabo lendo meus texto no ônibus mesmo, no caminho pro trabalho” , revela.
Outra história interessante é a de Helbert Paulino dos Santos, 23 anos, estudante de Comunicação Social e membro da Polícia Militar. A inconstância faz parte do seu dia-a-dia. Cumpre carga horária de 40 horas semanais, fora as escalas especiais, mas não tem horário fixo para trabalhar. Sua escala é bastante irregular, o que faz com que ele precise pedir autorização aos superiores para comparecer às aulas na parte da manhã. Mesmo assim, sai antes do fim das aulas em alguns dias, o que acaba prejudicando o aproveitamento das matérias. Por isso, ele se esforça e corre atrás dos conteúdos, procurando aproveitar o máximo o momento em que está em sala de aula.
Helbert, que mora com os pais, mas trabalha para seu sustento e para ajudar na renda familiar, diz que é difícil a relação estudo-trabalho, uma vez que a Universidade cobra muito, são muitas as matérias e às vezes é necessário abrir mão de alguma disciplina para cursá-la mais adiante, o que atrasa a conclusão do curso. Porém, afirma que todo o esforço vale a pena, se a pessoa estiver determinada a lutar pelos seus objetivos.

Vida social. Para universitários, trabalhar para ter sua grana e poder sair sem pedir dinheiro aos pais é a melhor solução. O problema é como eles conseguem se divertir, sair com os amigos, namorar, se estudam e trabalham ?
Disposição é uma coisa que não lhes falta. Depois do trabalho até a meia noite numa lanchonete, Rodolpho Leal, estudante de Biologia, ainda encontra ânimo para jogar sinuca e beber com os amigos na Rua da Lama. E ele não é o único. A mesma Rua da Lama vive lotada de universitários que estão em situação semelhante à de Rodolpho; “A Rua da Lama é próxima do trabalho e perto de casa. Posso ‘fazer um social’ e chegar em casa mais cedo pra estudar e trabalhar no outro dia”.
Rosicley Monteiro, apesar da faculdade e de seus dois empregos, encontra tempo para se divertir com suas amigas. “Eu me arrumo e vou me encontrar com as meninas, que já estão no ‘rock’há muito tempo...mas eu volto cedo...só faço isso para não deixar minha vida social sumir”.

Rotina incomum. Ler no ônibus, na fila do banco, no banheiro e na hora do almoço, fazer compras à noite, estudar até altas horas, acumular roupas sujas, dormir bem menos que o recomendado, tomar mais café do que água, e nutrir olheiras gigantescas são algumas coisas comuns entre os “estudantes-trabalhadores”. O tempo é corrido e escasso; assim, cada intervalo entre a faculdade e o trabalho é usado para realizar as pequenas tarefas do cotidiano, principalmente por aqueles jovens que moram sozinhos ou em repúblicas e que precisam dar conta dos afazeres domésticos.
Outros, ainda, insistem em realizar algumas atividades ainda mais incomuns que as naturalmente programadas. É o caso de Rosicley Monteiro, que entre tantas obrigações, ainda possui um “tempo livre” para montar sua mais nova aquisição: um quebra-cabeças de cinco mil peças. “Quando chego em casa sem sono e não tenho nenhuma tarefa para o dia seguinte, continuo montando meu quebra-cabeças, ao qual me dedico também nos finais de semana”.

Cafeína. A cafeína é o estimulante mais usado entre estudantes principalmente universitários que trabalham e estudam e precisam ficar mais tempo acordados. Quando as coisas ficam realmente difíceis os estudantes apelam até para drogas mais fortes como anfetaminas que fazem o cérebro trabalhar mais depressa, deixando mais acesas, ligadas, com menos sono, elétricas... Esses estimulantes são mais usados em momentos críticos como o final dos períodos, época em que os trabalhos acadêmicos devem ser entregues e as provas, feitas.
Normalmente a taxa de stress aumenta nesses espaços de tempo devido aos efeitos colaterais dessas drogas. A cafeína, por exemplo, causa alterações de humor, dores de cabeça, insônia e ansiedade. Uma tensão fica estampada nos rostos dos estudantes e isso é agravado ainda mais devido à falta de tempo para descansar, afinal depois da aula ainda tem o trabalho.